Eu apenas assisto o meu corpo trepido
Cambalear nessa corda bamba.
O meu corpo seria nada, Eu nada seria, Se minha carne fosse só carne E não fosse poesia.
Todos somos miseráveis
Incompreensíveis e incomparáveis,
Cada um ao seu modo
Igual, desigual
Lúcido e anormal,
Ninguém é aquilo que se vê
Somente o invisível é real,
Somos limitados de dentro para fora
Mas de fora para dentro
Nossa liberdade é total,
A vida é utópia
É tristeza, alegria,
É banal...
Meus rabiscos sem limites
Engolem tudo
O que me abre o apetite,
Só não conseguem digerir
Quem não desperta minha fome,
Se existem almas por aí
Algumas a gente não come!
By – Juliana Bizarria
Sou marcada sem postura
Com um tênue traço
Ascende em mim fulguras
Ilustrando as figuras
Então me abraço
Amoleço
Estremeço
Suspiro
Adormeço
Sobrevôo entre passos
Transpiro em abraços
Vejo tudo e nada vejo
Desmancho-me, desfaço
Com um beijo
Corto o laço
Vaga nua
Pela rua
A sombra de minha sombra
Destilando o doce veneno
E mais nada assombra
És irreal, és sutil
Acariciando velas
Pintadas com as cores mais belas
Um quadro ordinário, obra vil.
Arranca minha pele
Adentra em mim
Faz ecoar meus gritos bravios
Fecham as cortinas de cetim
Apago as luzes
Aplausos
É o fim!
Neste imundo mundo
De sonhos vagabundos
Nada é impróprio
Nada é impuro
Quando o novo é concebido
Pelo destemido
Tudo, tudo é permitido
By – Juliana Bizarria
Vai-se de mim...
Extirpada como um câncer
Saindo a exalar
Não digo boa noite,
Mas preciso descansar.
Feito fumaça
A minha visão embaça,
Os vapores do inferno
Estão a me contaminar.
Por qualquer razão,
Ou sem razão nenhuma
Deixo me levar,
Bebendo sua água
Uma fonte que nunca acaba
Jamais permitirei secar.
É mágico o instante
Mais intenso e constante
Onde posso ver os sons,
Tocar odores,
E ouvir as cores
Mas nunca não é o bastante,
Sempre está a me dominar
E na textura de uma folha de papel
Faço minha voz rouca, ébria,
Ressoar...
By – Juliana Bizarria
Eu estou indo para aquela montanha
Aonde o frio nunca bate
E o sol não é muito quente.
Estou subindo devagar
Porque os meus pés estão dormentes.
Lá sentirei a brisa da manhã ao acordar
E o sereno cair ao anoitecer,
Terei preguiça de me levantar
Quero ali ficar
E sozinha falecer.
O meu cadáver os pássaros
Não irão comer,
E como sentinelas ao meu lado
Irão permanecer,
Guiando minha carne como se eu estivesse
Acabado de nascer.
Viverei igual ao vento
Tímida, sem mostrar a minha cor,
E os pássaros comigo
Irão aonde eu for.
Mas um dia descerei de lá
Sem na terra precisar pisar,
E de tanto repousar com os pássaros,
Quem sabe eu, não aprenda a voar!
By- Juliana Bizarria
Poema mega master idoso, escrito a long time ago!