segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mundo Meu


Na madrugada

Meus momentos entorpecidos,

Transparecem entre vidros

Que se partem em meus ouvidos

Estremecem os sentidos,

Embebedam-se em gemidos

De sonhos adormecidos


Passam horas, horas passam

Os meus olhos se embaçam,

Meus cabelos embaraçam

Meus anseios se retraçam

Voam longe,

Repassam.


Meus atropelos são meus

Meus devaneios são meus

Meus desejos são meus

Eu sou minha,

E nada é seu

O meu mundo

É mundo meu.


Tiro a roupa

Tiro sarro,

Lavo as mãos

Com meu escarro


Aqui eu posso,

Poetizo e profetizo

Raramente,

Racionalizo!


By – Juliana Bizarria


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Não há abismo dentro de mim



Não há abismo dentro de mim

E eu que tanto o temia, vejo que o abismo sou eu

Agora é ele quem me teme.

Daqui por diante as coisas serão livres,

Darei passadas descompassadas,

Não esperarei por mais nada,

Matarei minha sede em copos d’água

E ficarei assim na companhia do meu eu.

Solidão?

Não...

É apenas mais uma fase do jogo da humanidade,

Logo passa, depois volta e poderá passar novamente,

Sucessivamente

Contende

Descontente

Tantas coisas acontecem e perdem-se na vida,

Perdem-se com a vida

Talvez até ficam esquecidas.

Não há de ser nada!

E nem sempre o que há

É tudo!

E aqui dentro de mim

Ah! dentro de mim......

Apenas lembranças,

E uma paz que não se cansa

E um recomeço que jamais terá um fim!


B y – Juliana Bizarria

domingo, 11 de abril de 2010

Tomo II


Eis que surge um espectro fantasmagórico

Envolvendo-me em sua poeira densa,

De ar lúgubre e calórico

Infectando qualquer crença.


Está mais uma vez diante de mim

Agonizando-me pelo fim,

Propagando minha doença.


O que isso pode ser?

O que isso vem a ser?

Fecho os meus olhos, a repudiar,

Fecho os meus olhos, não vou olhar.


A dança continua, vem e vai

Sobe e desce, mas não cai,

Não para o seu bailar.


Figura que surge do irreal

Na estranha realidade,

Fazendo uma dança surreal

Com tamanha intensidade.


O tomo II está em cena

E minha consciência já não mais plena,

Desconfia de qualquer verdade.


Entrou em meu mundo a desolar

Impediu-me de sorrir,

Vindo a pra me atormentar

Na hora de dormir.


E quando noto tudo se acaba,

Vai embora sem dizer nada

E sem que eu possa aplaudir!!


By – Juliana Bizarria

domingo, 14 de março de 2010

Memórias Mortas

Vivendo está à falta de sentidos
A falta de compreensão.
Minhas memórias foram mortas
Antes mesmo de terem nascidas,
Morreram sem ter vida
Sem ao mundo terem vindo,
Só cresceram dentro de mim.

Em meu nome velo por elas
Crendo que para sempre serão só minhas,
Memórias...

By – Juliana Bizarria

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Assim és meu sono

Dias tão estranhos
Nublam meus olhos,
Dando-me visão e vazão
A um mundo descontente,
Um mundo ciente e inconsciente
Onde perco a razão
Ficando mais descrente,
Nada presta e o que presta
Já acabou,
Nada resta e o que resta
Nem durou.
O tempo passa, mas as horas não
Os ponteiros giram
Mas tudo ainda permanece no lugar,
Coisas infames atropelam-me na esquina
Passam por cima,
De onde também estou a pisar.
O barulho que se ouve é um mantra
E o céu acinzentado um manto,
Que cobre todos e ao mesmo tempo
Não cobre ninguém,
E lagrimas que dele caem
São como um mar revolto
Em seu vai e vem,
Que segue faminto a tudo engolindo
Fluindo e indo
Cada vez mais alem!!

By – Juliana Bizarria

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tomo I

Entra em meu mundo desolado

Banhando meus olhos em pranto,

Toca-me e senta se ao lado

Causa-me dor, mas nenhum espanto.


Em voz baixa, doce e amena,

Esvoaça diante de mim a cena

Ecoando em meus ouvidos um canto.


De repente fica estridente

Confidente, se insinua,

E eu com meus olhos ardentes

Vejo uma sombra nua.


Oh! Desgraça

E seu grito logo retraça,

Perdendo se na rua.


De onde vem essa sombra já falecida?

Maldito monstro que me devora,

Atormenta-me a vida

E do nada vai embora.


Luzes turvas a me invadir

Frio e calor estou a sentir

Então o que faço agora?


O tomo I diante de mim

Causou em meu ser um tropel,

As cortinas se fecharam, é o fim

Cobrindo tudo como um véu!


Começo a aplaudir

Sem ao menos conseguir

Entender o meu papel!


By – Juliana Bizarria